sexta-feira, abril 14, 2006

Acabou. Game Over. Adeus.

Faz bem um tempo que não escrevo. Não que não tenha ficado triste o suficiente pra conseguir me entregar totalmente a um desabafo, pois sim, todos meus textos são desabafos, mas porque eu não tenho visto mais nenhum motivo pra fazê-lo.

Observe... Está virando um circulo vicioso. Parece que as coisas que escrevo se repetem sempre, parece que não sei escrever sobre outra coisa... ou, talvez, esteja enjoando de mim.

Tá, tá... eu não sou a melhor das pessoas pra falar sobre enjoar das coisas. não vejo muita graça em existir, em dar risada, em assistir um bom filme, conhecer uma garota, ou sei .

Existir, como eu falei, é uma coisa normal. Tão normal que eu nem consigo achá-la deslumbrante... Posso compará-la com estereótipos. Um exemplo bem gritante: existem pobres, ricos, medianos. Eu não me encaixo em nenhum deles. Não porque não tenha nada a ver, mas porque não quero (isso é um exemplo). Ok, eu não vou conseguir explicar isso. Burro! Burro!

Ah, acabei fugindo. O que queria falar era sobre existir. Porque existir, pra mim, não é algo deslumbrante. Existe um jeito fácil de explicar isso. Existem dois tipos de pessoas, as que gostam e as que não gostam de viver. Errado. Outra generalização... Existem 3 tipos: gostam, não gostam, indiferentes. O mundo não é sim ou não. Não mesmo.

Eu sou indiferente.. pra mim é normal. Enquanto pessoas se matam por não gostar (literalmente), ou por gostar (suportar varias coisas pra continuar existindo), eu simplesmente negligencio. Uma verdade universal, pelo menos no meu mundo. Vai morrer eu, você e todo o resto. E isso vai terminar quando realmente tudo acabar (a menos que exista o eterno retorno, alguma hora tudo isso vai voltar, quando o universo se recompor).

***

Universo se recompor: pense numa pulsação. Ela vai e volta. No meu mundo as coisas são assim, como um coração. Uma hora ele vai se contrair completamente ("fim/inicio") e depois ele vai ficar totalmente gordão, expandido ("meio"). A contração total é o fim da antiga expansão e inicio da nova expansão. Se o coração nunca parar, isso será um eterno retorno.

***

E bem, o que diabos tem tudo isso a ver com eu não conseguir escrever? Bem, esqueça sobre eu não conseguir escrever. Se você está lendo até agora é porque não está tão chato continuar passando o olho por essa palavra que se estende sobre o papel. E, pra não ser sacana, eu consigo escrever. Minha mão desliza sobre a folha e eu não sei quando parar. (hahaha ... Mentira, eu sei sim...)

Como eu falei, escrevo quando estou muito triste. Observe, quando a tristeza acabar o texto acaba. ( pensou se eu escrevesse comédias? Você estaria rindo com minha desgraça - literalmente - literalmente? Trocadilho infame...)

Mas que seja, deixa eu pelo menos terminar o que falava quando dava exemplos: graça em existir, em dar risada, em assistir um bom filme, conhecer uma garota, ou sei .

Bem, dar risada é mais por sentir-se inútil quando a graça acaba. Vou dar o exemplo mais infame possível: Homens se masturbam (relaxe, ainda nem comecei...) e mulheres também - mas eu não sou mulher e não sei se isso acontece... Pois bem, no começo é legal e tal, aquela cócegazinha, aquele xixi que vem depois da ligeirada pra cima e pra baixo. Mas, depois de 18 anos nas costas isso é uma coisa horrível. Ridícula, horrível, deprimente. Você deve solucionar a charada com - sei, você se sente um idiota por não estar com uma garotinha no seu quarto, ahá! - Nada disso. Existem uma coisa chamada DPP. Depressão Pós Punheta. Eu não sei explicar, mas é horrível. Depois que a cócegas, a qual você está muito acostumado, passa, você se sente mal - Porra, pra que eu fui fazer isso? Tão em vão...

E bem, quanto a sorrir... se é que você lembra do que eu estava falando... tá, eu sei que está chato e você não quer chegar até o final (que nem eu sei onde é), mas pense, é minha tristeza que esta aqui.. você vai negligenciar minha tristeza assim tão descaradamente?

Sim! Sobre a inutilidade do riso. É a mesma coisa. DPR. Depois de rir muito eu me sinto ridículo... "Vai seu palhaço, ria de novo agora vá. Vai rir de novo seu idiota, cedo ou tarde vai ficar triste". Algo a ver com a inutilidade de existir? (cedo ou tarde você vai morrer), não sei. Talvez eu seja maluco... Pareço confuso?

Ah, bem lembrado. Quem disse que as coisas precisam ter lógica? Mas você vai dizer - Você é maluco mesmo, tava falando de lógica, então o que você fala da vida é mais sem lógica do que parece, que não precisa ter sentido em existir... - Oh, grande gênio da humanidade, eu não critico a lógica. Sequer critico pra falar a verdade. Existir e rir são duas coisas normais, porque eu deveria "endeusá-las"?

Então ser feliz é normal? Ser triste talvez? Ser normal é normal? Ser é normal? O que é normal?

Deixa eu pensar. Apesar de isso não ter nada a ver com o que eu comecei a escrever, vamos ver se eu respondo algo... No meu mundo, ninguém é feliz.

Me disseram uma vez - Felicidade cara, são jóias preciosas, você guarda elas e depois vai se nostalgiar, ou felicitar, com a beleza que elas têm. - Mais um caso típico de endeusamento. Ser feliz merece tanta atenção assim? Melhor, felicidade merece tanta importância? Talvez você pense: Cara, você é maluco mesmo.. por isso que você fica triste, porque você não da valor a felicidade.

AHA! AGORA SIM. Isso responde duas coisas: a inutilidade da vida e sobre ser feliz. Observe, a vida é sagrada (pra alguns). Felicidade então.. deve ser uma coisa absurda. Não acha? Diga se você consegue achar uma coisa mais importante que a felicidade... Endeusar a vida está no mesmo ritmo, é você comparar.

OK.. isso está ficando confuso. No meu mundo, o normal é estar, Ser é uma coisa absurda que todos querem. Querem ser bem sucedidos profissionalmente, socialmente, economicamente, pessoalmente quem sabe... Feliz, triste, normal. Tanto faz amigo leitor. Todos estão, ninguém é constante. O cara pode até ser bruto. Extrema felicidade -> Morte. Extrema Tristeza -> Morte. os normais sobrevivem. EU SOU NORMAL, AÊÊÊÊ!!!

Eu sou? Que maravilha saber disso.

Ai que merda. Acho que não sou não viu.. voltemos à tristeza profunda. Talvez essa teoria se aplique às pessoas que observo.

Eu não me observo... Eu mal me interesso por mim mesmo. Mal me interesso por minha vida... O que é um normal no meio de um monte de maluco? As vezes penso que sou eu. Talvez os outros estejam se matando por ai, eu sobrevivo, mas nem percebo a carnificina que rola do lado de fora.

Que seja. As outras duas comparações: Graça em assistir um filme e em conhecer uma garota, é a mesma relação com o riso e a existência. Coisas que acabam e que me deixam com cara de idiota porque elas simplesmente acabam ali, daquele jeito. Acorde seu normal. Game Over pra você. Acabou a diversão.

Pô, acho que é vazio. É isso! É exatamente o vazio que me chateia. Todas essas palavras que escrevi traduzem meu vazio. Em cada letra está um pouco de minha tristeza. Meu vazio. Meu nada que sempre me acompanha. Meu nada que me faz ser normal, quem sabe. Meu não motivo pra achar graça em tudo. Meu desmotivo para ver a graça num pôr-do-sol, uma graça suprema diria... um pôr-do-sol é bonito, convenhamos, mas porque não é uma coisa tão constante... Alias.. é constante. Acontece toda hora... Mas cara, aquele vermelho no céu, as nuvens vermelhas. Sim sim, é bonito mesmo. Supremo? Sagrado? é querer demais de mim. Mas, graça. Não não.. sinceramente não acho.

E claro, está aqui o relato de minha tristeza. Pouco mais de uma hora aqui, ouvindo Muse, pensando em algumas pessoas que gosto mas que não posso conversar. Pensando no meu futuro, pensando que vou me mudar dessa cidade grande. Pensando em quão inútil ficou esse texto.

Droga, ninguém vai ler isso. Alias, que nada a ver. Pra que eu estou escrevendo isso? Game Over pra você e pra mim. Acabou a diversão por aqui. Estou normal, ouvindo Muse. Sim, normal. Vou dar esse texto pra alguém. Alguém dirá. Triste, Feliz, Sim, Não. Sinto isso muito desprezível. Ninguém vai ficar tão triste como eu. Ninguém vai sentir o que senti. Opa. Não quero ter que escrever outro texto pra curar essa DPT. Ai droga... de novo não... Nunca mais escreverei de novo. Circulo vicioso.

Anderson Gomes Bastos

sábado, fevereiro 18, 2006

Tolice...

Quando se está triste, o mundo parece tão idiota... Não sei ao certo sobre a aplicabilidade dessa teoria, mas pelo menos agora, e todas as outras vezes que eu me pus a uma reflexão intensa, resultando numa profunda tristeza, algo do tipo "que ridículo!" passou pela minha cabeça ou eu a expressei verbalmente. Bem... é simples de se perceber, pelo menos parece.

Depois de alguns minutos pensando, alguma coisa ridícula passa a me atrapalhar. São coisas bestas do tipo, alguém rir perto de mim, um carro passar a toda com o som bem alto, algum gaiato gritar ao longe sobre meu cabelo, enfim, alguma coisa chama parcialmente minha atenção. Idiota, eu diria...

Eu bem sei que algumas coisas vão perdendo o valor com o tempo. É sério... E acho ainda que a tristeza acelera bastante isso, ou pelo menos, acelera o que eu futuramente irei retirar da estante de "coisas importantes da vida".

Ainda me lembro de quando eu venerava o dinheiro. Acho que todo mundo um dia se pegou desejando coisas, algumas até idiotas, sei lá... uma roupa da moda, um celular, ou o que for. Na época qual falo, se não me falha a memória, eu estava desejando um joguinho de botão. Eu tinha alguns cruzados (ou eram cruzeiros) e aqueles brinquedinhos me encantavam demais... Eu já tinha alguns times, mas o dinheiro acabou, sabe como é...

Bem, mamãe saiu pra fazer algo na rua (provavelmente na casa da vizinha), e eu fui caçar alguns níqueis. Na bolsa dela algumas moedas brilhavam pra mim, pequenininho, (acho que devia ter pouco mais de um metro e 10). Com todo o cuidado do mundo, aquele meu primeiro furto resultou em um pouco de felicidade. Teria eu comprado um pouco de felicidade com algumas moedinhas? Bem... Pelo menos posso dizer que fiquei bastante satisfeito com minha, digamos, proeza capitalista.

Mamãe nem se deu conta de que as moedas começavam a sumir, até o dia que ela perguntou quem andava me dando aquele tanto de botões. Daí, a primeira mentira, "achei alguns dinheiros por aí, no chão". E assim, construí minha personalidade... Engraçado, muitas atitudes que tive como criança perduraram muito tempo em mim.

Em algum momento em minha história eu me chateei por causa de dinheiro (já eram reais). Eu queria algo não muito barato no natal e resolveram por me presentear com algo mais caro ainda, mas não tinha nada a ver com o que eu queria. Alguém pede uma bicicleta e recebe uma prancha (???), que situação estranha... Os natais seguintes foram a mesma coisa, todo ano a mesma chateação. Por trás de toda aquela hipocrisia do bom velhinho e da confraternização em família, eu me remoia por não ter um computador, uma bicicleta... Bem... De tantas pancadas periódicas, eu resolvi ter bom senso e mudar um pouco.

Tanto natal como todas essas outras festas que envolvem dinheiro, porque sim, hoje em dia tudo dá dinheiro (até a desgraça dos outros), passaram a ser pura idiotice (pra não dizer hipocrisia) pra mim. Tem um fato recente que eu chamo de carapaudice-moderna... Lembra lá do tsunami lá? Semanas depois, algum ministro de algum país resolveu dizer que "aquilo" era uma grande oportunidade para as corporações se instalarem naquele local.

E quanto à estante, vejo-a cada vez mais vazia. Sim... Acho que da mesma forma que se eu for enumerar o tanto de sonhos que eu tinha antigamente e os que eu tenho hoje... Quer dizer... Eu tenho sonhos? Parando pra pensar um pouco, acho que sonho é uma coisa muito forte. Tenho poucos desejos, estou tão desacreditado que nem ouso em sonhar. O mundo é idiota demais para que eu coloque algo de volta na estante...

E o que me resta nela? Nem eu sei responder. Se não tivesse nada lá, acho que já teria enfiado uma bala na testa, mas não sei, pelo menos agora eu sinto um vazio gigante em minha mente. Pra ser sincero, eu me sinto completamente vazio.

Tirando a teoria do mundo idiota, eu me prendo a outra sobre as pessoas. Andei lendo em alguns lugares, e alguém em algum lugar já havia pensado na mesma coisa. Eu a conheço como "O mundo só tem duas mil pessoas", mas esse alguém resolveu dar um nome filosófico, cheio de "esses" e "ós" e "ís", se não me engano, Solipsismo. É interessante mesmo, e, em parte, soluciona meus problemas com a prateleira e todo o resto dos cômodos. Em resumo, diz que a única coisa que existe, é sua mente, quisá seu corpo. Na teoria das 2000 pessoas, ainda se considerava que existiam mais gente, duas mil, mas os figurantes, no caso, eram meras peças de controle, seres inexistentes que têm como objetivo tornar as coisas aparentemente reais.

No SSSSolipsismo, todos são figurantes, e eu nem tenho a certeza de que o que eu olho segurar um lápis e que aos poucos esboça um texto numa folha faz parte de meu corpo (se é que ele existe). Mas bem, que seja. Eu ainda não acho esse pensamento idiota, quem sabe daqui a algumas horas, sei lá... Mas, como quando eu tinha um metro e dez e me sentia feliz com um jogo de botão, me sinto reconfortado em pensar algo do tipo. Pelo menos eu posso me alegrar em prever que se na melhor das hipóteses tudo isso são apenas peças que simulam a realidade, a verdade é que elas nem existem. Nem mesmo você que está lendo agora isto existe. É frustrante e ao mesmo tempo engraçado.

Foi um professor meu que me falou sobre isso das duas mil pessoas. Bem, será mesmo que ele existe? A parte chata de tudo isso é quando algumas pessoas que eu não me arrependo de ter conhecido serem postas em xeque existencial. Tudo aquilo que eu tive e vivi na infância, todas as músicas que ouvi, as piadas que me foram contadas, os filmes que me fizeram chorar. Será mesmo que tudo isso são apenas frutos de meu subconsciente?

Acho que eu mesmo estou começando a me sentir idiota. Talvez nesse mesmo momento eu esteja sendo tirado da prateleira de alguém, se por algum acaso outra pessoa existir, mas de qualquer maneira esse momento de lucidez ocasionada pela tristeza me foi útil. Depois de tanto tempo a pensar, me sinto normal de novo. Posso sair pela rua e me enganar mais uma vez com as pessoas e com o resto do mundo. Não dar mais importância a algum gaiato que mecha comigo, ao som alto que toca axé no carro de algum playboyzinho, das menininhas que passam de biquíni falando de algum programa de tevê adolescente ou mesmo, de alguém que ainda insiste em deixar o dinheiro na lista de coisas muito importantes na vida. Pra falar a verdade, eu nem ligo mais pra o que pensam. Se realmente nada disso existir, possa ser que um dia eu acorde e me depare com algo mais confortável do que toda essa palhaçada que o ser humano criou para dar à vida um tom de realidade. Se é que pra as coisas parecerem reais, elas têm que parecer idiotas também. Tolice...

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Despedida À Humanidade


Naquele instante ele se lembrava dum livro que tinha lido há uns 2 anos atrás. Sua vida conturbada tinha lhe remetido a uma situação muito parecida com o livro. Ele parecia O Homem Ridículo, só que menos ridículo. Ele não estava tão preocupado em continuar existindo, mas apenas por não conseguir um motivo primordial para morrer, ele ficou a madrugada inteira acordado e imóvel.

Diferente do Homem Ridículo, ele não teve sonhos. Dai, não ser a cópia exata do seu, há dois anos atrás, responsável por noites de tristeza constante, O Sonho de Um Homem Ridículo.

Bem, antes de lê-lo, ele tinha a mesma visão sobre o mundo. As pessoas são seres ridículos, que se iludem o tempo todo, acreditando no sentido de coisas vãs e criando motivos inúteis para viver. Pessoas dão importância demais para a vida e todas as outras coisas criadas por pessoas ridículas. Morrem, sem nada levar e sem nada acrescentar a ridícula humanidade que muda sem nada, efetivamente, transformar. É tudo a mesma coisa...

Decidido então a fazer algo, resolveu fazer uma carta de suicídio. Imaginou que mesmo que não morresse naquele instante, um dia ela poderia vir a ser útil. Então a redigiu, imaginando que suas horas de batalha interna não ajudariam em nada. Tudo isso que lhe havia ocorrido só teria lhe tornado tão ridículo quanto os outros seres: morrem e nada acrescentam.

Antes de escrever, pensou nisso que acabava de soletrar "morrem, sem nada acrescentar". Opa! Ele estava se contradizendo. Quem disse que necessariamente ele precisava acrescentar algo? Aha! Não era isso que ele queria dizer realmente. Seria melhor dizer: “Morrem, não deixando nenhuma importante prova de que não era tão ridículo quanto os outros”. É claro que os seres ridículos têm o direito de serem assim, claro! Mas, por acreditar que ser ridículo é o caminho convencional e que continuar neste caminho apenas lhe trará dor e infelicidade, ele resolveu, finalmente, mudar algo em sua vida (nem que pra isso precise estar morto).

Então escreveu:


"Carta de Despedida À Humanidade

Caros seres humanos:

Tudo bem com vocês em seu mundinho de plástico? Bem, eu estou indo embora, mas queria falar um pouco com vocês antes.

Bem, tudo começou a cerca de 3 ou 4 mil anos atrás, quando muitos de vocês, por ganância, jorraram sangue inutilmente, criaram relações desiguais, enfim, mutaram a espécie: nascia o Homo sapiens maleficus.

Qualquer idiota imaginaria que essa espécie se extinguiria, ou pelo menos, fosse a minoria. Bem, algo muito diferente aconteceu... Esses seres gananciosos e sujos aproveitaram a inocência dos demais para se manterem numa posição consideravelmente elevada.

Bem, eles manteram-se tão ativos nas relações com seres inocentes, que praticamente toda a espécie foi contaminada pela maldade. Ora, mas essa maldade não é a única coisa que pode ser relacionada com a contaminação, claro que não.

Os seres passaram a ser mais passivos, passaram a aceitar mais as mudanças. Passaram a defender, ou concordar, com os seres maus.

O gênero de inocentes foi quase extinto, e até hoje, há muitos contaminados que mal conseguem enxergar a destruição que foi causada neste mundo ridículo.

Bem, por isso mesmo que estou indo... mas queria dizer-lhes algo que os fizesse pensar.

Não lhes envergonha ser assim não?

É sério. Eu sentiria muita vergonha em ser "normal" por puro comodismo, egoísmo ou maldade. O primeiro a se pronunciar quanto a mudança na forma como a humanidade anda caminhando diz: "Se não fosse assim não daria pra viver", ou "se eu pensar como você eu não vivo".

Estranho não? Parecem que vocês são idiotas o suficiente para aceitarem as coisas como lhes convieram (parece?). Pior, acho que o gene que infectou a vocês (e a mim também, é claro) lhes programou para desmotivarem e descacredirarem totalmente em mudanças.

Me entristece saber que valores individuais prevalecem sobre a grande maioria. Bem, se não for pelo fato da maioria ser conivente com a situação, é deprimente demais saber que existem seres que conseguem pensar em si mesmo: viver em função de sua própria satisfação, gozando de prazeres absolutos, felizes. No entanto, tudo isso conquistado com a fome de uns, esmagando outros, tirando a liberdade de muitos, roubando os sonhos de milhares, e fazendo uns desacreditados o suficiente para deixarem de existir.

Bem, humanos. Sinto não concordar com a ignorância generalizada que lhes assola. Não concordar com o egoísmo que lhes governa e a desgraça que lhes infecta.

Eu sei muito bem que vocês não vão durar 50 anos. Claro. Vocês mal se entendem entre si, quanto mais com o restante de metros quadrados que o planeta contém...

Já já tudo isso acaba, lhes enchendo de dor e sofrimento. De anos difíceis, de tragédias graciosas.

Só não venham com esse cinismo infeliz e com a cara mais abestalhada do mundo dizer: "Não tivemos culpa", "deus nos castigou".

Bem feito para vocês que continuarão assim. Continuarão possuídos pela maldade, pelo egoísmo e pelo comodismo que impera nos humanos. Bem feito por nada terem feito para ajudar seus vizinhos que morreram tentando melhorar o mundo. Bem feito por terem sido coniventes com a opressão e a falta de ética. Por terem fechado os olhos quando um egoísta qualquer se promoveu e esqueceu do resto do povo. Bem feito por assistirem alguns surtos de consciência e condenarem-os como loucura. Bem feito por sempre acreditarem na imprensa e todos os outros veículos de informação. Por nunca terem se questionado sobre a verdadeira verdade. Por possibilitarem os jogos de poder e interesse. Por serem massa de manobra. Por imaginarem que o mundo é perfeito e que ninguém é mau. Por recriminarem idéias novas e serem preconceituosos. Por gostarem do mundo simplesmente por estarem felizes em sua hipocrisia. Por existirem, seus infelizes de alma.

Imagino que vocês, quando crianças, devido a inocência, se sensibilizariam mais com as coisas e, particularmente, com tudo isso que lhes denuncio. Engraçado, vocês cresceram e tornaram-se infantis...

Imagino que muitos rirão desses escritos. Muitos dirão bem feito. Muitos nem entenderão.

E, eu permanecerei inútil. Assim como todos vocês que só fazem perpetuar esta existência desgraçada. Culpada pela existência do fator maldade.

Bem, por fim, queria pedir desculpa a alguns seres.

Queria desculpar, em nome de todos vocês inúteis, por todos os seres que foram matados inocentemente. Pelas espécies que foram sacrificadas e dizimadas em prol de interesses individuais. Pelos bilhões de seres mortos, puramente, para se transformarem em dinheiro e encherem os bolsos de humanos maus e egoístas.

Queria me desculpar também pelos que viveram por terem um sonho e não realizarem-no por puro descaso do restante. Por terem vivido e se dedicado a um mundo melhor, ou pelo menos, para melhorar seu mundo, e algum idiota muito esperto resolveu vender ou jogar fora seus sonhos.

E me desculpe o restante que se importa, por eu não ter mudado o mundo em nada. Mas, eu penso assim, o restante que impera não quer ser mudado. Se utiliza do velho "se eu pensar assim eu não vivo", ri das pessoas que se sensibilizam com os problemas e soltam um fervoroso "não to nem aí".

Mas enfim. Mesmo não tendo contribuído pra muitas atrocidades, eu nada fiz para impedir que elas ocorressem. E quando fiz não fui convincente, não as impedi de qualquer forma.

Vivi tão inutilmente quanto vocês. Agora, desisto de tentar mudar.

Bem, espero que todos vocês aproveitem bem as quase duas décadas que lhes restam de "sossego". Espero encontrar com muitos de vocês, pra aonde quer que eu vá, e ver se vocês realmente aprenderam algo. Eu realmente acho difícil... com mais de 2 mil anos as coisas só pioraram, não vai ser em 20 que a mudança irá acontecer.

Mas que seja. Curtam a destruição e nos vemos depois do apocalipse.”

E assim que acabou de escrever, dormiu, esperando nunca mais acordar... nunca mais sonhar... nunca mais existir...

Anderson

domingo, novembro 27, 2005

Sobre dias estranhos, cachorros, gatos e homens

As noites cinzentas são bem estranhas. Eu acho, pelo menos. Aquele barulho de carros agoniados, que parecem correr de um desastre fatal à cidade, junta-se com as nuvens meio negras do céu e o reflexozinho da lua minguada na água. Tudo isso, misturado com aquela fumacinha da noite cinzenta cria um ambiente hostil. Não sei, pode ser invenção da minha cabeça, mas esses dias são muito estranhos.
Eu estava, como quem não quer nada, sentado no para-peito da rua, esperando meu ônibus, como sempre faço, e estava pensando bastante. Coisas banais que ocorrem em minha mente. Coisas sobre o porque de eu estar ali, aquela hora da noite, esperando um ônibus maldito que demora anos pra passar. Sobre o porque de, especialmente naquela noite, o dia se mostrar tão estranho. Por que será que eu me abalo tanto com o mundo?
E assoviando e observando a lua minguada e a morbidez da noite, via pessoas correrem de um lado pra o outro, pessoas correrem numa só direção. Pessoas paradas, exaustas, sem ter o que fazer. Pessoas que inconscientemente aceitavam aquela forma de viver e nem se questionavam. Estar numa noite daquela e pensar uma coisa dessas é de fazer qualquer pessoa sentir-se mau.
Da janelinha do ônibus, dava pra ver a grande cidade e seu contingente de condenados se preparando pra dormir. Ah! Que bom é dormir sossegado. Esses pobres coitados nada devem a ninguém, nada pensam e só fazem as coisas para perpetuarem esse pacto de hipocrisia que existe entre a razão e a humanidade. É algo do estilo: "viva sua vidinha medíocre, seguindo os padrões e leis, e morra depois, sem acrescentar nada a ninguém, apenas perpetuando a espécie e esse manual de sobrevivência fácil".
Imagine você, que eu estou num ônibus razoavelmente cheio (as únicas cadeiras vazias são as que me cercam). Pessoas entram e saem deste veículo, olham pela janela e, por estarem tão acostumadas, vêm apenas uma coisa - o próprio reflexo.
Noites cinzentas, por serem hostis, deveriam causar náuseas e descontentamento nas pessoas. Só que a pobreza de espírito é um caso sério. Eu vejo que as pessoas estão tão entregues ao mundo e ao pacto, que mal param pra enxergar além do reflexo. Mal param pra se questionarem sobre como as coisas poderiam mudar se elas mesmas parassem de aceitar a vida rotineira que a humanidade em peso leva.
Nesse momento, uma lágrima sutil correu dos meus olhos, correu todo meu rosto impregnado da poluição das cidades e parou no meu queixo, solitária, como só as lágrimas conseguem ser. Permaneceu ali até o momento em que decidiu ir embora. E foi... se arremessou da minha face e morreu no chão de metal daquele ônibus vazio. Vazio de lágrimas e sentimentos sobre o mundo... Ninguém ali estava realmente se importando com o tom enegrecido da noite, com a rota do grande ônibus, o qual leva os passageiros humanos, enquanto houverem, para essa grande coisa inexplicável e estranha que se chama viver. Você nasce, entra no ônibus, sai dele algumas vezes, pega uns similares, mas, querendo ou não, um dia você vai pra garagem e não volta.
É, ninguém se importa. Não hei de gastar outra lágrima solitária por isso. Porém, não vou aceitar as coisas também. É triste ver como a grande pergunta fica de frente para as pessoas todos os dias e vê que elas não conseguem enxergar um palmo a frente do nariz. A única coisa próxima que conseguem ver é o reflexo, e esse reflexo nunca vai mudar...
- "Porque você vive dessa maneira?"
O ponto das pessoas vai chegando. Elas vão indo para casa, tomam aquele banho refrescante, bebem aquela água pura, afagam o cachorro que estava ali sentado há horas, esperando a despedida da noite, e, como quem não tem mais nada pra fazer, vão descansar. Acordam, e fazem a mesma coisa todos os dias. Alguns mudam a rotina por causa de umas ações, mas isso só lhes acorrentam mais nesse comodismo ingênuo.
E o ônibus anda... Cheguei sozinho em casa, em silêncio. Afaguei o gato, abraçando-o como se ele tentasse fugir. Não tomei banho, estava pensativo demais para jogar meu incômodo pelo ralo. Me olhei ainda por uns instantes no espelho, tentando descobrir que espécie de ser sou eu. Será que somente eu consigo enxergar os desprazeres deste mundo pré-fabricado? Alguém precisa me ensinar a viver, deste jeito previsível e igual eu não quero.
É, as noites cinzentas são estranhas. São boas noites, despertam toda a escuridão que tem-se guardada. E o ser humano é assim mesmo, precisa de um estímulo para fazer algo... Eu dormi e sonhei com dias melhores, sonhei com um mundo cheio de lagrimas em ônibus, e que essas lágrimas eram amigas, se abraçavam e se amavam. Nesse sonho, todos desciam no mesmo ponto, todos davam um sorriso de contentamento. Os gatos e cachorros se entretiam, todos faziam uma festa numa grande piscina e a alegria os impedia de dormir. Eles se olhavam no reflexo da água e sabiam exatamente o que eram. Eram a resistência deste mundo. A única esperança. Enquanto o resto do mundo dorme e se sente confortado, eles, brindavam a alegria. A alegria é descobrir que a cada dia uma lágrima a mais se juntava a eles.
Bem, querendo ou não, tenho o resto da minha previsível existência para tentar ver esse sonho um dia. Enquanto isso, ando só por aí, abraçando meu gato e sem tomar banho em noites cinzentas, rolando de tristeza na cama e, esperando que um sonho bom me ocorra. É certo que quando eu acordar as coisas vão piorar bastante, mas o ser humano é assim mesmo. Preciso de algum estímulo para fazer alguma coisa. Será que um dia eu faço?

domingo, agosto 28, 2005

Das Profundezas do Silêncio

Bem, to postando essa poesia. É bem recente. Um amigo meu me ajudou com a métrica na hora de corrigir, mas eu acho que no fim ficou legalzinha.
Foi feito num daqueles momentos: você se sente tão só que, a tristeza chega no estágio máximo, e você se acomoda tão absurdamente, que parece que mais nada vai conseguir lhe ferir.

Das Profundezas do Silêncio

De onde terá vindo tudo isso que existe?
Se não da minha mente, faminta de sonhos...
Mesmo assim, não sei, é um sonho tão triste,
vazio, preenchido por mortos e estranhos.

Viver: martírio, sem sentido, nauseante.
Tão vazio que apodrece facilmente...
Sem sentido, é tão inerte a casa instante
E sozinho... sigo a vida, tristemente.

Eu tenho de naufragar na solidão
E pensar - algo perdi enquanto fui.
Meu tempo foi-se num enorme vagão.
"Nada existe." Minha história se dilui...

Sonho... nem ele consegue ser perfeito
Desejo vão de alguma felicidade.
E os anseios? Ser feliz é meu direito!
...Não sei o que é. Sou preso à fatalidade.

O detalhe, deste acaso que me cerca,
Traz a curiosidade, preenche-me totalmente.
Por isso não desisto, por mais que eu perca;
...Mas nada mantêm-se íntegro eternamente.

Imutável é o óbvio, mas nada o é.
Todo ser: abismo, completo de nada,
E a dor: refúgio da verdade e da fé:
...Sofrer é ter a consciência despertada.

Minha mente é um labirinto tortuoso,
dominado por um monstro: é a verdade.
...Não há razão, já não sou esperançoso.
Vivo num abismo... Viva, a fatalidade!

Anderson Gomes Bastos